segunda-feira, 17 de maio de 2010

transição

se as memórias de um tinteiro mercenário
pintarem de giz as melancolias de um viarco número dois
talvez então faças um pequeno esforço
para compreenderes
o porquê das andorinhas quase brancas agora

um coração tem sempre um nome inexacto
nos alforges das letras que os pequenos pacotes de açúcar
escondem nas margens das chávenas fumegantes

amanhã será um novo dia
e eu creio num sol novo entre os canaviais
dos silêncios incorrectos

espera-me mesmo que eu não saiba
o resultado das cópias contrafeitas
desta tranquila tristeza misturada
com a inquietude do vento incolorido

e sobre os rascunhos das definições
vais ver-me desenhar
a inexistência dos prodígios prematuros

1 comentário:

  1. Meu caro amigo:
    Embora paralelo tudo isto ao nosso “partir pernas”, deixa que te conte uma história:
    Estava eu aqui há dias a comprar material de desenho para a minha filha numa papelaria quando o o dono da mesma, olhando fixamente para mim e tudo o resto, me perguntou:
    -E então, não vai nada?
    Acontece que comigo já há algum tempo que “não vai nada”, mas perguntada assim a coisa, merecia algum tutano:
    -Olhe, meu amigo, comprar, comprar, não me apetece, mas não tem por aí um compasso de espera que me empreste?

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