não é só árido este atalho de contrastes
que nasce com remendos de pronúncia íntima
quase pérola
não é só propaganda esta forma de ser adepto
do caos utópico das piadas imprevistas
da política e das coisas desniveladas
é que torna-se difícil sobreviver sem palavrões vulgares
e sem peritos impressionistas e voluntários
aos improvisos lineares e sonâmbulos das notícias
navegantes
nestes dias ficcionados
avisei-te sobre as diferenças do género difuso das máscaras
entre o além da consciência e o aquém das balas e das mesas vazias
como ausências quase nossas às vezes
já viste? deitamos governos abaixo com o afinco
intelectual das pessoas invulgares que não sossegam
entre dois pisos de senilidade
tens razão: precisamos urgentemente
dos votos de toda a gente por aí
temos de ser simpáticos e audazes
ou então podemos ficar contentes com as construções
mecânicas e manuais
da incontinência psíquica que volatiliza as chávenas
onde nunca deixamos que as palavras
arrefeçam.
Nelson Ferraz, in “Gondomar Económico”, Junho de 2010
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